PLAQUETAS E INTERPRETAÇÃO NO LAUDO DE HEMOGRAMA

     O Lab Center Vet conduz os exames hematológicos com padrões técnicos de qualidade, integrando contagem de plaquetas por analisadores automatizados e confirmação manual durante todas as contagens diferencial em esfregaço sanguíneo. Fazemos isso em todas as amostras. Nosso objetivo é assegurar resultados precisos e confiáveis, apesar das interferências pré-analíticas que podem impactar a contagem plaquetária, especialmente em casos de agregação plaquetária.

Esfregaço sanguineo apresentando distribuição plaquetária normal


Fenômeno da Agregação Plaquetária

     A agregação plaquetária refere-se ao agrupamento das plaquetas e este evento interfere diretamente na precisão dos resultados obtidos pelos analisadores automáticos, podendo gerar:

  • Contagem plaquetária inadequada devido ao agrupamento.
  • Confusão diagnóstica entre trombocitopenia verdadeira e pseudotrombocitopenia.     


Esfregaço sanguineo apresentando agregação plaquetária

     O Lab Center vet está sempre monitorando as frequências deste fenômeno e constantemente reavaliando todas as ocorrências de agregados plaquetários. No ano de 2022 foi atribuído o aumento dos reports de agregações e fibrinas a qualidade de alguns tubos de EDTA. Após a realização das trocas das marcas dos tubos de coleta, tivemos uma redução significativa das frequências desse evento. Além desse tipo de problema identificado, sabemos que existem diversos outros fatores relacionados a presença de agregação plaquetária no hemograma como técnica de coleta, transporte da amostra e características do paciente.

     Estudos indicam que amostras coletadas com agulhas de calibre inferior a 21G apresentam uma taxa de agregação plaquetária de até 15% maior. Avaliação das amostras superiores a 6 horas pós coleta, têm sido associados a uma incidência de 10-20% de alterações com agregação plaquetária, independente da condição de transporte.

      Pacientes com condições hematológicas específicas, como trombocitopenia imunomediada, também mostraram maior predisposição à agregação durante o processamento laboratorial. Em casos de agregação significativa, o impacto sobre o resultado é registrado em laudo para auxiliar na interpretação clínica.

Fatores Determinantes da Agregação Plaquetária

     As principais causas da agregação plaquetária podem ser divididas em três categorias:

  • Procedimento de coleta:
    • Uso de agulhas de calibre reduzido, que aumenta o trauma mecânico.
    • Velocidade ou pressão excessiva durante a coleta, estimulando a ativação das plaquetas.
    • Coleta em condições que favorecem a coagulação parcial do sangue.
  • Manipulação da amostra:
    • Homogeneização insuficiente do tubo com anticoagulante EDTA.
    • Uso de anticoagulantes em proporção incorreta, comprometendo a estabilidade das plaquetas.
    • Intervalo prolongado entre coleta e processamento, causando degradação celular ou ativação das plaquetas.
    • Temperaturas inadequadas durante a coleta ou transporte, impactando a estabilidade celular.
  • Condições intrínsecas ao paciente:
    • Presença de anticorpos antiplaquetários, que induzem reações imunomediadas.
    • Cortisol endógeno ou exógeno – aumento da circulação de plaquetas e aumento da predisposição de agregações.

Estratégias para Minimização da Agregação Plaquetária

     Para reduzir o risco de agregação plaquetária e aprimorar a confiabilidade dos resultados laboratoriais, recomenda-se:

  • Seleção adequada de materiais:
    • Preferência por agulhas de calibre 21G ou superior, que minimizam o trauma mecânico.
    • Utilização de tubos de coleta com EDTA de alta qualidade e em condições adequadas de armazenamento.
  • Técnica de coleta rigorosa:
    • Realizar punção venosa com delicadeza, evitando movimentos bruscos e formação de bolhas/espuma na tração do vácuo pelo êmbolo da seringa.
    • Garantir preenchimento do tubo conforme indicado para preservar a relação sangue/anticoagulante.
    • Coletar a amostra em ambiente adequado, aguardar alguns minutos antes de colocar em refrigeração.
  • Manuseio e transporte apropriados:
    • Homogeneizar o sangue suavemente por inversão lenta do tubo (8 a 15 vezes) logo após a coleta. Não agitar o tubo. Esse número de inversões é ideal para garantir que o anticoagulante se misture de maneira homogênea ao sangue, prevenindo a formação de coágulos ou a ativação plaquetária que pode levar à agregação.
    • Transportar a amostra em recipiente térmico para evitar exposição a temperaturas extremas.
    • Processar a amostra em até 24 horas após a coleta para preservar sua integridade.

     A adoção destas medidas contribui significativamente para a redução das interferências pré-analíticas e permite resultados mais precisos e representativos da condição clínica do paciente.

Condutas em Casos de Agregação Plaquetária

     Quando a agregação plaquetária é identificada durante a análise, registramos no laudo para assegurar que este fenômeno seja considerado no contexto clínico. Por exemplo, o laudo pode conter a seguinte observação: “* Presença de agregados plaquetários*. Recomendamos avaliação contextual com base no quadro clínico do paciente e, se necessário, realizar nova coleta em tubo EDTA e tubo de citrato para confirmação, lembrando que qualquer condição pré-analítica citada acima ainda interferir, a confirmação da contagem de plaquetas será também afetada.

  • Confirmação manual:
    • Realizamos essa técnica em todos os hemogramas, mesmo com solicitação de confirmação ou não. No momento que realizamos a leitura das lâminas para identificação do leucócitos e alterações morfológicas, também já avaliamos a presença de agregação, tamanho das plaquetas e presença de inclusões.
    • Avaliação qualitativa e quantitativa para diferenciar trombocitopenia verdadeira de pseudotrombocitopenia.

  • Nova coleta de amostra para confirmação das plaquetas:
    • Indicada em situações de alta relevância clínica ou persistência de resultados inconsistentes.
    • Recoleta minimiza fatores pré-analíticos, garantindo maior confiabilidade. Para evitar a repetição de erros, recomenda-se realizar a coleta com agulhas de calibre 21G ou superior, homogeneizar o tubo imediatamente após a coleta com 8 a 15 inversões suaves e assegurar o transporte adequado da amostra em recipiente térmico dentro de um intervalo máximo de 8 horas até o processamento. Se tempo entre coletas for inferior a 48h. Evitar o mesmo vaso que foi realizada coleta anterior. Preferência de vaso que não tenha sofrido transfixação.
    • Ressaltamos que, em nosso protocolo, o serviço de confirmação de plaquetas em nova coleta implica em custo adicional devido a utilização de insumos.

  • Documentação detalhada:
    • Fornecemos informações claras no laudo sobre a presença de agregação plaquetária, suas implicações e orientações para interpretação do resultado.

Garantia nos Procedimentos Laboratoriais

     O Lab Center Vet sustenta um compromisso rigoroso com a qualidade e confiabilidade dos exames realizados, fundamentado em:

  • Utilização de analisadores hematológicos tecnologicamente avançados e periodicamente calibrados e com manutenção preventiva sempre em dia.
  • Integração de confirmações manuais para correção de interferências automatizadas.
  • Capacitação contínua da equipe para garantir competência técnica e excelência diagnóstica.
  • Cerificação do Controllab, demonstrando confiabilidade nos resultados por meio de controle externo de qualidade.


     O Lab Center Vet está à disposição para esclarecer dúvidas técnicas e fornecer suporte científico sempre que necessário. Agradecemos a confiança depositada em nossos serviços e reafirmamos nosso compromisso com a excelência no diagnóstico laboratorial veterinário!

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